(...) Relatório Neuropsicológico Preliminar por Busca Intença com base no Roteiro de Entrevista Adulto – História Pessoal (Base gerada, sem ser Oficial)

quarta-feira, 4 de junho de 2025

 Relatório Neuropsicológico Preliminar

1. Identificação do Paciente
Item
Descrição
Nome
Joaquim Pedro de Morais Filho
Idade
29 anos
Data de Nascimento
16/09/1995
Sexo
Masculino
Naturalidade
Magé/RJ
Escolaridade
Superior Completo
Ocupação
Analista de T.I. (Desenvolvimento de Webdesign)
Estado Civil
Solteiro
Lateralidade
Destro
Telefone
(85) 99125-3990
2. Queixa Principal
  • Motivo da Consulta: Averiguação de estado mental para possível anomalia psíquica ou transtornos mentais, incluindo suspeita de Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou outras condições.
  • Início dos Sintomas: Desde a infância, com persistência na adolescência e vida adulta (1995–2025).
  • Médico Solicitante: Neuropsicólogo (nome não informado).
3. Histórico Médico e Familiar
Item
Descrição
Histórico Médico
Cefalograma sem alterações; ansiedade predominante, sem diagnóstico formal.
Histórico Familiar
Nenhum parente próximo com diagnóstico de condição mental.
Medicação Atual
Nenhuma.
Acompanhamento Psiquiátrico
Não.
Terapia Psicológica
Não.
4. Histórico Pessoal
  • Infância:
    • Criado no interior com privação financeira.
    • Ambiente familiar com "proteção negativa" da mãe (mãe superprotetora, possivelmente restritiva).
    • Conviveu com mãe e irmã, sem relatos de abusos.
    • Interações sociais normais, com amizades, mas restritas.
    • Hobbies: Frequentava praças.
  • Desempenho Escolar:
    • Considerado inteligente, com bom desempenho em matemática até a 7ª série.
    • Avançou da 5ª para a 6ª série devido ao desempenho.
    • Concluiu o ensino médio via Encceja aos 15 anos, sem ensino convencional após a 7ª série.
    • Sem dificuldades relatadas em leitura ou escrita, mas com amizades restritas e pouca socialização escolar.
  • Experiência Escolar:
    • Relato de gostar da escola, mas sente falta do ensino convencional.
    • Relacionamento com colegas e professores descrito como "mediano".
  • Vida Profissional:
    • Profissão: Analista de T.I. (Desenvolvimento de Webdesign).
    • Atualmente estagnado, dispensando trabalhos e rotinas, vivendo "sem expectativa".
    • Participa de concursos públicos.
    • Não relata dificuldades em manter empregos ou cumprir contratos.
  • Rotina Atual:
    • Desorganizada, com estagnação e falta de perspectiva.
    • Atividades de lazer: Caminhar.
    • Sono: Ruim.
  • Habilidades:
    • Escrita e comunicação digital.
  • Círculo Social e Apoio Familiar:
    • Médio, sem interferência significativa no estado mental.
5. Sintomas Relatados
Os sintomas foram organizados em categorias para facilitar a análise:
Categoria
Sintomas
Funções Executivas
- Dificuldade de planejamento e organização.
- Dificuldade em concluir tarefas.
- Dificuldade de concentração.
- Impulsividade (atos e fala).
- Dificuldade com cálculos (especialmente gerenciamento de dinheiro).
Cognitivos
- Dificuldade de compreensão.
- Dificuldade de expressão.
- Períodos de confusão/desorientação.
Emocionais
- Períodos prolongados de ansiedade.
- Mudanças no humor e personalidade.
- Sono ruim.
Sociais
- Sem dificuldades relatadas em entender emoções, linguagem corporal ou manter amizades.
- Impacto dos sintomas na vida social e no trabalho.
Comportamentais
- Interesses intensos e focados.
- Rotinas/rituais difíceis de mudar.
- Ansiedade com mudanças na rotina.
Funcionais
- Mudanças na habilidade de cuidar da casa/trabalho.
- Mudanças no trato com pessoas próximas.
- Perda de oportunidades (bolsa universitária, processos judiciais) devido a impulsividade.
- Sintomas piorando desde 2019.
6. Eventos Relevantes
  • 2019: Perda de bolsa universitária (Química e Direito) e envolvimento em processos judiciais devido a impulsos relacionados a um conflito envolvendo o pai.
  • Impacto: Ciclo de estagnação contínuo, com piora dos sintomas e falta de perspectiva.
7. Análise Neuropsicológica
Com base na neuropsicologia e nos sintomas descritos, as seguintes hipóteses diagnósticas são consideradas:
7.1. Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
  • Evidências a Favor:
    • Dificuldades executivas (planejamento, organização, concentração, conclusão de tarefas).
    • Impulsividade significativa, com impacto funcional (ex.: perda de bolsas, processos judiciais).
    • Sintomas persistentes desde a infância/adolescência, com piora na vida adulta.
    • Dificuldade com cálculos e gerenciamento de tempo/prazos.
  • Evidências Contra:
    • Ausência de relato explícito de hiperatividade na infância, embora a impulsividade esteja presente.
    • Bom desempenho escolar inicial, o que pode ser atípico em TDAH não tratado, mas possível no subtipo desatento.
  • Considerações:
    • TDAH em adultos frequentemente se manifesta com desorganização, impulsividade e dificuldades em manter rotinas produtivas, consistentes com o relato. A ausência de tratamento prévio pode ter exacerbado os sintomas, especialmente sob estresse.
7.2. Transtorno do Espectro Autista (TEA)
  • Evidências a Favor:
    • Interesses intensos e focados.
    • Rigidez com rotinas e ansiedade com mudanças.
    • Impacto funcional no trabalho e na vida social.
  • Evidências Contra:
    • Ausência de dificuldades sociais significativas (ex.: entender emoções, manter amizades, interpretar linguagem corporal).
    • Sem comportamentos repetitivos (estereotipias) ou sensibilidades sensoriais.
    • Infância socialmente "normal", com amizades, ainda que restritas.
  • Considerações:
    • A suspeita de TEA não parece robusta devido à ausência de déficits sociais/comunicativos centrais. Os interesses intensos e a rigidez podem ser explicados por outras condições ou traços de personalidade.
7.3. Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
  • Evidências a Favor:
    • Períodos prolongados de ansiedade.
    • Sono ruim, comum em transtornos ansiosos.
    • Ansiedade associada a mudanças na rotina.
    • Histórico de eventos estressantes (processos judiciais, perdas acadêmicas).
  • Evidências Contra:
    • Ansiedade não é o único sintoma; dificuldades executivas e impulsividade sugerem outras condições.
  • Considerações:
    • A ansiedade pode ser secundária ao TDAH ou a eventos estressantes, ou ainda uma comorbidade.
7.4. Transtorno Depressivo
  • Evidências a Favor:
    • Estagnação, falta de expectativa e sensação de "viver por viver".
    • Sono ruim e mudanças no humor.
    • Perda de oportunidades e dificuldades funcionais (casa/trabalho).
  • Evidências Contra:
    • Ausência de relato explícito de tristeza persistente, embora a ansiedade seja predominante.
  • Considerações:
    • Um quadro depressivo reativo a eventos estressantes é possível, potencialmente comórbido com TDAH ou ansiedade.
7.5. Outras Possibilidades
  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT): O "ciclo que nunca terminou" relacionado ao processo judicial envolvendo o pai sugere um possível evento traumático, mas não há sintomas típicos de TEPT (ex.: flashbacks, evitação).
  • Transtorno de Personalidade: Impulsividade e mudanças no humor podem sugerir um transtorno de personalidade (ex.: borderline), mas faltam dados para confirmar.
  • Causas Neurológicas: Períodos de confusão/desorientação justificam investigação neurológica (ex.: EEG, ressonância), embora o cefalograma prévio seja normal.
8. Conclusão Preliminar
A hipótese diagnóstica mais provável é Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), possivelmente subtipo combinado ou predominantemente desatento, com comorbidades como ansiedade e possível quadro depressivo reativo. As dificuldades executivas, impulsividade e impacto funcional desde a infância/adolescência são consistentes com TDAH. A ansiedade e a estagnação atual podem ser amplificadas por eventos estressantes (ex.: processos judiciais, perdas acadêmicas).
A suspeita de TEA é menos provável devido à ausência de déficits sociais significativos e comportamentos repetitivos. Ansiedade e depressão devem ser investigadas como condições primárias ou comórbidas.
9. Recomendações
Ação
Descrição
Avaliação Neuropsicológica
- Testes para TDAH (ex.: Conners, ASRS).
- Testes para TEA (ex.: ADOS-2, ADI-R).
- Avaliação de funções executivas (ex.: Wisconsin Card Sorting Test, Stroop Test).
- Triagem para ansiedade/depressão (ex.: Inventário de Beck, HAM-A).
Consulta Psiquiátrica
- Avaliar necessidade de medicação para TDAH (ex.: metilfenidato, atomoxetina) ou ansiedade/depressão (ex.: ISRS).
Terapia Psicológica
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC) para ansiedade, impulsividade e organização.
- Treinamento de habilidades, se necessário.
Investigação Neurológica
- Descartar causas orgânicas para confusão/desorientação (ex.: EEG, ressonância magnética).
Apoio Psicossocial
- Orientação para reestruturação da rotina com metas realistas.
- Envolvimento de suporte familiar.
10. Observações Finais
O diagnóstico definitivo requer avaliação clínica detalhada com testes padronizados. A complexidade dos sintomas e a ausência de tratamento prévio indicam a necessidade de uma abordagem multidisciplinar. O paciente deve procurar um neuropsicólogo e/ou psiquiatra para confirmar as hipóteses e iniciar um plano de tratamento.